ARTIGO: Ar comprimido isento de óleo: garantia de qualidade de alimentos

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Por Alexandre Jordão, gerente de negócios de produtos para América Latina da divisão de Tecnologias de Compressão e Serviços da Ingersoll Rand

Contaminação! Eis aí uma palavra que os fabricantes de alimentos e bebidas não querem ouvir, nem de longe. Assegurar uma produção livre de resíduos é um desafio constante. Por isso, é básico seguir normas e estar atento a detalhes durante o processamento e a produção, tudo para reduzir espaços para erros.

Dentre alguns dos pontos fundamentais nesse processo está a correta escolha dos equipamentos para o sistema de ar comprimido para geração de ar de alta qualidade. Para quem não sabe, ele é um elemento essencial em vários setores da indústria de alimentos e bebidas, entre outras, e já foi alçado à mesma categoria dos serviços de água, esgoto e eletricidade, tamanha sua interferência em diversos aspectos e fases da produção.

A questão chave é a pureza do ar comprimido! Se não for isento de óleo, livre de microrganismos, poluentes e outras partículas, toda a produção corre risco de contaminação, o que pode levar até a um recall de produtos e a sérios prejuízos financeiros e de imagem. Quando há uma situação assim, a confiança do consumidor é afetada e a reputação da marca se desgasta rapidamente.

A utilização de ar comprimido mais puro, gerado por compressores modernos e eficientes, é uma grande arma de prevenção contra esses riscos. É preciso considerar que o contato acidental do ar comprimido com a superfície do produto é muitas vezes inevitável e parte do processo de produção, o que exige atenção redobrada dos fabricantes aos detalhes para garantir total segurança na produção.

Para os fabricantes, portanto, investir em compressores que maximizem a produtividade e a rentabilidade, sem perdas ou prejuízos, tem sido a melhor forma de prevenção.

Nos Estados Unidos, a restrição aos equipamentos utilizados é severa. Não por acaso, a Lei de Modernização da Segurança Alimentar da FDA, criada em 2011, estabeleceu medidas preventivas obrigatórias para todos os equipamentos de produção de alimentos, bebidas e remédios. Também prevê medidas sobre a qualidade de ar comprimido.

No Brasil, por sua vez, há a norma ABNT ISO 22.002-1 que estabelece alguns requisitos, como filtração, umidade e microbiologia para o ar quando este é um ingrediente ou entra em contato direto com o produto final. Além desta, há a norma ABNT ISO 8573-1 que define classes de pureza do ar nos compressores. A certificação estabeleceu nova classe de qualidade do ar para fabricantes e foi revisada em 2010, sendo a Classe “0” a mais rigorosa.

De uma maneira geral, toda contaminação deve ser evitada. Por isso, o ar de Classe “0” tem importância crucial, já que ele tem capacidade de prevenir contaminantes, como óleo, nos produtos finais. Além disso, em um projeto bem desenhado com o correto sistema de filtragem de partículas e secadores de ar é possível reduzir os riscos de contaminação por água e partículas sólidas.

A água é um desafio comum em relação à segurança alimentar, porque existe na forma de vapor na entrada do compressor, acompanhada de partículas. Os compressores isentos de óleo aquecem o ar a 400°F (204,4 Celsius), no máximo, enquanto os compressores de injeção de óleo podem chegar a apenas 180°F (82,2 Celsius), permitindo a sobrevivência de bactérias.

Já os sistemas de ar comprimido lubrificados têm de lidar com o óleo em uma variedade de formas: líquida, vapor ou aerossol aumentando os riscos de contaminação do produto final. Mesmo em sistemas de ar comprimido Classe 0, quando o vapor de óleo está presente no ar atmosférico admitido pelo compressor, este pode se tornar um problema quando um processo produz C6 (hexano) ou uma cadeia de carbono superior. Nestes casos devem-se avaliar estes riscos de contaminação para determinar a melhor solução. .

As partículas sólidas, por sua vez, que compreendem sujeira, bactérias, esporos de fungos e ferrugem são apenas algumas que também podem ser encontradas no sistema de ar comprimido. São elas que, dentro da linha de produção, danificam o equipamento e podem comprometer o produto final.

O ar limpo combate a contaminação e promove confiança junto ao consumidor. E para alcançar os requisitos necessários de pureza do ar é necessário destacar a importância dos dois fatores: a avaliação de riscos da produção; e a escolha do tipo de equipamento a ser empregado na produção.

Contudo, o sistema de ar comprimido isento de óleo é a mais segura opção para muitas empresas do setor alimentício, farmacêutico e outros que exigem extrema higiene. Eliminar por completo o óleo lubrificante e contaminante da linha de produção é fundamental para garantir a qualidade.

Um sistema isento de óleo demanda um maior investimento financeiro inicial. Em contrapartida, sua utilização ao longo do tempo oferece risco reduzido de transmissão de óleo na produção e eventuais impactos na imagem da marca, além de um menor custo de manutenção, comparado a um compressor comum lubrificado.

E mais: A utilização de compressores isentos de óleo reduz os custos de tratamento de condensado gerado pelo processo de compressor do ar, uma vez que este mesmo condensado estará livre de óleo facilitando o seu descarte.

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